Ritmo

Pra quem vive no limite a vida nunca é injusta

Victor Frakl

“Se a situação está boa, desfrute-a; se a situação está ruim, transforme-a; se a situação não pode ser transformada, transforme-se”.

Ortodoxia

“Ortodoxia”

Autor: G K Chesterton.

Editora: Mundo Cristão

Espiritualidade Subversiva

“Espiritualidade Subversiva”

Autor: Eugene Peterson

Editora: Mundo Cristão

Religiosidade Sem Sentido – Por Josué Silva.

      Do mosaico religioso que se vê, ouve, e se põe em pratica, o que há nada mais é do que a crença de cada um aplicada à sua realidade; mas os excessos na prática da religiosidade substituem a essência e a experiência da espiritualidade. Ao longo de séculos pessoas foram separadas pelo preconceito de cor, raça, condição social, etnias e nacionalidades; mas a maior distancia entra elas ocorre através da religião. O preconceito e a intolerância foram responsáveis por grandes conflitos étnicos e religiosos; no contexto social os indivíduos que compõem a sociedade também desenvolvem comportamentos de diferença e indiferença entre si por conta da crença e da religião.

     Toda cultura é moldada por mitos e crenças, mas a insensatez de não saber equilibrar aspectos do cotidiano com a fé e a religião, põe em risco relacionamentos saudáveis, seja num ambiente de trabalho, numa conversa informal com vizinhos, num encontro com familiares, ou numa sala de bate papo virtual. Se a discussão em pauta for sobre o certo ou errado sobre temas desnecessários da religiosidade, as razões serão vazias e infundadas com discussões do tipo: “ressurreição ou reencarnação”, “reza ou oração”, “céu ou purgatório”, “bíblia ou corão”, “Deus, ou Alá”, Jesus Cristo, Maomé, Buda ou Kardec”, “sal grosso, incenso ou escapulário”, “cristais, trevo de quatro folha ou bíblia aberta no salmo91”, “O Cristo crucificado ou a cruz vazia no pescoço”, “galinha preta, charuto e cachaça ou corrente de abraão, gideão, e outros ãos,  “sessão de descarrego, reunião dos 318 ou peregrinação em Compostela”, concentrar devoção em santo Expedito ou aumentar a fila na campanha da prosperidade”, “subir de joelhos em escadarias de uma basílica ou ir na fogueira santa de Israel”, “ler livros do Edir Macedo, Paiva Neto ou do Paulo Coelho”, “Venerar como sua santidade Dalai Lama ou Bento VI ”.

     No emaranhado desse labirinto perdem o rumo nessa polemica tolice em definir equivocadamente o que é profano e o que é sagrado, não poupam tempo nem energia em justificar e provar valores apenas religiosos e totalmente confusos.

     As razões que fundamentam tal discussão estão num patamar equivocado, é sem peso, medida e valor, os expõe à miséria e a inexorabilidade da confusão de suas convicções, se é que existe convicção numa linha ideológica vazia e sem sentido.

     É a subjetividade na crença de cada um, apontando para os errados iludidos de que estão certos; medindo a fé alheia nas circunstancias comuns com indagações do tipo: “se o carro quebrou a religião não ajudou”, “se o cheque voltou a igreja não prestou“ se a conta estourou é porque o dízimo falhou”, “se doente ficou é que a fé se enganou”, “se o problema continuou é porque a crença acabou”. Comportamentos religiosos que demonstram uma religiosidade sem sentido; quem lê Chico Xavier zomba de quem ora em voz alta, quem vai no corredor dos milagres amaldiçoa quem se benze, quem recebe unção com óleo da terra santa vira o olho pra quem faz o sinal da cruz, quem bate cabeça no terreiro segura o riso de quem ora diante da marmita. Maltratam e desprezam pessoas por sua crenças, dogmas e ritos praticados, vivendo a miséria de uma religiosidade frustrada e sem sentido.

     O erro e o despropósito de provar a fé errada ou certa os fazem viver a perdição na religião, pois fé é a certeza que dispensa provas, e religiosidade que gera discussão alimentando ódio e indiferença não conhece o que é fé.

    Não existe fé sem amor ao próximo, e amar é saber viver as diferenças. Religião significa religar o homem com o Divino, substituir o efêmero pelo transcendente na busca do sagrado. Quando a motivação verdadeira for se aproximar de Deus sem ignorar o próximo, viveremos a espiritualidade de cristo, que vivifica a alma trazendo sentido e razão.

     Negligenciar uma vida espiritual saudável é transformar a religião numa arma apontada para o próximo, vivendo o equivoco mortal do egoísmo e do egocentrismo. Concentrar força e energia na religiosidade é viver na superficialidade. A espiritualidade fundamentada no amor puro e simples, nos convida para a totalidade da vida, nos chama a mergulhar no profundo conhecimento de Deus, acima de ritos, superstições e dogmas, para viver a vidaem abundancia. Porisso, nunca se esqueça: “Deus é Amor”.

J.S.

“Nossa dor não é fruto da distração de Deus, mas com certeza nos tira das distrações humanas.” Josué Silva.

Um Lugar Para Aprender a Ser Cristão – Por Josué Silva

      As convicções espirituais que estão vivas em mim não estão amparadas na igreja, é imune de qualquer ferramenta eclesiástica, são minhas, plantadas por Deus em meu coração. Coração de um pecador resgatado pelo sacrifício do calvário. Em Cristo está toda a esperança da minha fé. De tudo o que creio nada vem de igreja alguma; mas isso não significa que a espiritualidade que molda a minha peregrinação, é indiferente a uma comunidade de irmãos. Acredito sim que igreja não é apenas um local de ajuntamento para celebração, ou simplesmente um ambiente de louvor e comunhão; a certeza que tenho, é que igreja é mais um lugar que preciso pra ter a chance de desenvolver os atributos de um cristão, preciso ser um cristão, e pra isso o ambiente chamado igreja fortalece o meu caráter de filho de Deus. Preciso ser cristão numa comunidade onde posso caminhar solidariamente, preciso ser cristão para oferecer piedade na constante pratica do perdão. Preciso ser cristão para poder enxugar lágrimas e ser a resposta de Deus onde o silencio, as ausências e as carências esmagam o direito de ser daqueles que não são. Preciso ser um cristão para ver milagres que fortalecem a minha fé. Preciso ser um cristão para ser encorajado no dia da angustia. Preciso ser um cristão para não negar minhas fraquezas, pois nelas Deus me fortalece.

      Nesse contexto preciso de uma igreja, quero estar onde filhos de Deus abram os braços e me ofereçam ajuda. É lá, na igreja, onde eu encontro a piedade que me falta. Na igreja eu sinto o amor de Deus através dos irmãos. Na igreja eu também vivo como irmão. Na igreja eu me sento ao lado de pecadores que foram perdoados e também me sinto perdoado. Na igreja sou aquecido com abraços fraternos. Na igreja eu encontro pessoas para enxugar minhas lágrimas e dar a resposta de Deus pra mim. Na igreja eu contemplo milagres, pois sou um milagre. Na igreja eu encontro palavras encorajadoras que fortalece os meus passos. Na igreja eu me reconheço como pecador e vejo que minhas fraquezas não são apenas minhas. Na igreja eu encontro os maltrapilhos e me reconheço entre eles, totalmente dependente da graça e da misericórdia de Deus, renovada em mim todas as manhãs. Na igreja eu louvo e celebro o perdão. Na igreja eu sinto o amor e vivo na graça. A igreja é o lugar daqueles que não merecem. Não apenas um lugar onde eu sento para ouvir um sermão, mas onde eu caminho de mãos dadas com meus irmãos. Um lugar, para aprender a ser cristão. Igreja é a casa de Deus.

Mas eu sou como a oliveira verde na casa de Deus;

confio na misericórdia de Deus para sempre, eternamente.” Salmo 52:8

Consciencia – Por Josué Silva

     Não consigo por em pratica tudo o que escrevo sobre fé e serviço, estou submetido à finitude. Mas com freqüência me permito e consigo não praticar o que me impulsiona a soar o brado do inconformismo; vamos combinar, realmente é difícil fazer o bem não importa a quem, mas não é tão difícil assim deixar de fazer o mal, mesmo que seja para quem o mereça (de acordo com nosso senso de justiça). A razão da minha fé é algo que supera esse dilema da bondade pretensiosa versus natureza maldosa. Nenhuma pessoa comum consegue ser um bonzinho super legal a todo instante, e também não preciso me entregar totalmente a maldade e a ignorância, aos meus instintos e pulsões simplesmente por que o mal está no profundo da natureza humana.

    A voz de referencia em minha interioridade, é a voz de Deus, me chamando a viver como Cristo, me entregar à conduta de ser e manifestar Jesus em minhas palavras e atitudes. Isso não significa ser nem parecer um zen deslocado; mas simplesmente agir de forma naturalmente santa em responsabilidade e ética, em respeito e bom senso, e acima de tudo transparência e verdade. O bem em processo contínuo desacelera o ritmo do mal, vou desaprendendo a ser movido pelo mal, à medida que me sacrifico para o bem. Deixamos de ficar cada vez menos vulneráveis às nossas próprias compulsões, à medida que cultivamos uma freqüência maior nas atitudes de lucidez. Nos afastamos da condição de seres inadequados movidos pelas pulsões primitivas, ao passo que geramos tolerância e compreensão nos espaços onde elas não caberiam de acordo com o nosso senso de compreensão.  Desenvolvo relações dignas e saudáveis sem mergulhar na minha volúpia e capricho, egoísmo e individualismo, pensando ser o sujeito absoluto da história, num frissô de ganância e deslealdade. Isso nos esmaga para um formato medíocre do ser, com sentidos embotados e amortecidos.

     A busca constante e a prática diária de um caráter diplomático, articulado e civilizado, vão transformando o que era confuso e sinistro num outro projeto de condução da vida. O que antes possuía um aspecto indecoroso e desagradável, no jeito, nos tratos e no humor, vai tomando formas perfeitas, de proporções harmônicas, agradável aos sentidos, aprazível em serenidade, com dimensões sublimes e elevadas. O que antes parecia desvantagem ou loucura passa a ser lucrativo e vantajoso. O belo entra em cena sem anestesiar a consciência.

       Tudo vai se tornando naturalmente parecido com Jesus. Sem precisar viver religiosamente no ramo eterno mistificando tudo de forma barata. Basta estabelecer critérios de valor na maneira como falo, ando, trabalho… Basta definir os parâmetros de minha relação com meus filhos, minha esposa, irmãos, pais e amigos. Vivendo a altura das grandes verdades com tudo que me relaciono, seja no ambiente em que desempenho minhas habilidades profissionais, na maneira como lido com meu dinheiro, ou como cuido do mundo em que vivo. Esses valores não podem estar perdidos em alguma dimensão da consciência, as esferas da vida, sob a óptica da fé cristã, resgatam valores vitais e essenciais, aspectos espirituais que fluem na superfície das ações humanas. A água viva corre saciando o ser, trazendo refrigério à alma, e curando a consciência.

Resenha para uma Canção de Vida

     Os poucos impulsos de distração on-line, que tenho frente à tela do meu laptop ligado (que inclui este blog), dificilmente fogem de um destino claro e óbvio, não uma obsessão, mas um prazer de apreciar brinquedinhos caros e raros. Meus olhos brilham diante de selmer’s, yamaha’s, yanagisawa’s e outros; saxofones lendários que possuem o meu tamanho, o meu numero, deveriam produzir os meus sons, ficariam bem bacanas ao lado do meu surrado travor james. Essas sutilezas fazem parte da pauta musical inserida no meu cotidiano, pois é também com a música que avanço os dias, entre notas e sons, fico até meio irritado quando as horas se reduzem, e expulsam a chance dos meus períodos diários de prazer e êxtase sonoro, produzido pelo meu velho e inseparável soprano. Mesmo fosco e sem cor, ele é como vinho, melhora ao passo que envelhece.

    Eu também; fico mais apreciador ao passo que me distancio do menino sonhador que fui e ainda sou – mas agora cada vez mais rabugento -  pois não abandonei esse oficio de sonhar – tão necessário que pra mim se torna oficio – deixar os sonhos de lado, é totalmente tedioso, e nada pode ser tão embriagado de chatice do que o estado de submissão a um formato de existência com o mínimo de ousadia possível; é quase trágico deixar a vida no preto e no branco. Mas aprendi a aproximar meus sonhos da realidade, e das possibilidades, os tornei mais maduros – me tornei menos imaturo – Mas eles, os impulsos, às vezes dão as caras; qualquer dia desses, cometo uma peripécia dessas, com o pé no chão é claro! – ou não – Enfio a cara num brinquedinho desses, esses mesmos que faz doer qualquer bolso limitado como o meu, mas ajuda fazer a vida valer cada milésimo de segundo.

    Essas notas, tão pessoais, estão na minha partitura, na simplicidade do meu dia a dia, ajuda a escrever a musica, são as partes únicas dos acordes que fazem a simultaneidade da harmonia da canção, aquela canção de vida, que todo mundo escreve.  Simples assim…

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